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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

A APOSTA

Caríssimo Eduardo PL
Como você vê, aprendi a usar isso aqui.
Comemorando, vou contar-lhe um 'causo'.

Há uns poucos anos, fomos, Zé da Gaita, Alex e eu, com nossas respectivas, fazer um passeio pelo Caribe e, logo no primeiro dia ficamos amigos de outros três casais, pouco mais jovens. Uma das moças, vendo que eu tinha uma leve semelhança com um canastrão de Hollywood, chegou-se, e começamos a conversar. Veio a amizade, daquelas que duram o tamanho exato dos dias no mar.
O veleiro era muito agradável, silencioso, o sol do inverno aconchegante, muito chic.
Os três maridos eram amigos de infância, longa convivência, tinham feito faculdade junto, notamos logo que entendiam-se bem, eram cúmplices do corriqueiro. Suas mulheres, nem tanto, mas davam-se bem.
E assim foi, com o passar dos dias, aqueles doze brasileiros foram se conhecendo e, depois de algumas horas, parecíamos velhos amigos, os três casais de cá e os três casais de lá.
Conversa vai, conversa vem, mostraram as minúcias de uma velha amizade entre os três, e que havia entre êles um pacto sagrado - mentira não podia haver.
Assim, ficamos sabendo de uma aposta entre êles, que só poderia valer se a verdade prevalecer.
Eles haviam apostado quem fodia mais suas respectivas, durante a semana do veleiro. Uma aposta desta só vale se houver confiança, e isso era sagrado entre êles.
Sempre fui um estudioso das relações humanas, um sociólogo amador, de maneira que aquela aposta deixou-me curioso. Expliquei minhas sociológicas intenções aos três apostantes, assim pude, toda manhã, depois do breakfast, colocar-me a par dos acontecimentos da noite anterior, sem entrar em detalhes, evidentemente. Minha atenção aos fatos era meramente técnica.
Dos três, havia o bonitão, havia o bom-de-papo, e o terceiro era um turquinho barrigudinho, casado uma uma turquinha simpaticíssima, mas que também não primava pela beleza, filha de um banqueiro daqueles sólidos pequenos bancos da rua XV, financiadores de eletrodomésticos, que com o correr do tempo foi engolido pelo Bradesco. Oligopólio.
Descobri que o turquinho barrigudinho no quarto dia de navegação estava perdendo de lavada: o placar estava 4x3x1, e restavam mais três noites, e três paradas: Nassau, Key West e Fort Lauderdale.
Bateu-lhe o desespero, virilidade sobrava-lhe, o que havia então ? Sua cara metade estava precisando de um estímulo.
O veleiro parou em Nassau, porto livre cheio de lojas de grife, dia lindo para compras. Nosso amigo saiu com a mulher, abraçadinho e com pressa. Sumiram no horizonte.
À noite, no jantar a bordo, a resposta: chegaram os dois, ela, com um Piaget cravejado de brilhantes, levantando o pulso para todos verem a maravilha, feliz da vida, risonha, sensual.
Levantamos âncora, no dia seguinte ele empatou com o segundo colocado. Na penúltima noite, empatou com o líder.
Perplexidade. E já chegando ao continente, em plena tarde, desempatou.
Na atracação, entre nós, uma Moët comemorativa, paga pelo barrigudinho, as mulheres sem nada entenderem...
Semana passada encontrei os seis jantando no Le Vin. Steak tartare. Pisquei para o turquinho, perguntei como iam de fodas e de apostas.
- Suspensas, disse o bonitão.
- O poder econômico acabou com elas, completou o outro.
E as três, entreolharam-se, continuaram sem nada entender.


É isso aí, caríssimo, um Forte Abraço.

4 comentários:

Eduardo P.L disse...

Você continua bom de causos! Essas devem fazer sucesso no Rio!!!A propósito:
estou acabando de ler o livro da Leila, que vc me presenteou, e estou adorando reviver toda aquela época!

Forte abrçs

Anônimo disse...

Otimo!!! Bjoks Marina

Regina d'Ávila disse...

Que maldade!!

Marcos Junqueira Netto disse...

O Que faz os $$$$$!

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